Cada pedaço da calçada,
Cada fissura dela, nela,
Todo e qualquer objeto,
Seja folha, graveto ou chinelo,
Gritam coisas pra você,
Incompreensíveis,
Por assim dizer.
Gritam tão alto,
Que você quase entende
O sentido disso tudo.
Mas você não pode,
Não pode parar de andar.
A poça d’água vira espelho,
Refletindo agonia,
Mas logo passa,
Fica pra trás,
Junto com a calçada, fissura,
Folha, graveto, chinelo.