A Volta do Ladrão de Guardanapos
Poeta encarcerado,
O Ladrão de Guardanapos sofre calado;
Não saio, não saio.
Tenho medo dos vampiros,
Dos mortos-vivos, de ser caçado.
Se tivesse pena, ou espada,
Se Deus me ajudasse,
Se me desse uma saída
Desse pesadelo, dessa piada
De mal gosto, desse mau agouro.
Talvez uma palavra afiada,
Me libertaria da Sol-cidade
E ficasse livre de verdade
pra poematizar com gozo
Livre de toda maldade
Traria palavra bonita,
Poema de Noite,
Poema de Fruta,
Lembranças de Poços,
Memórias de Moço,
Juntaria tudo num Balaio,
Junto com meu Macaco,
e morreria de novo.